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O que é PeptiStrong™?

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O PeptiStrong™ (NPN_1), derivado da Vicia faba, tem sido promovido no mercado de suplementos com alegações de aumento de até 400% na síntese proteica em repouso e redução de 54% na perda de massa muscular. A proposta desperta interesse, mas exige análise crítica quanto à robustez das evidências.

O que é PeptiStrong™?

O PeptiStrong™ é um hidrolisado enzimático de peptídeos derivados da Vicia faba, identificado por meio de uma abordagem de machine learning preditiva. Esses peptídeos foram inicialmente caracterizados em modelos in vitro e em animais, nos quais demonstraram capacidade de estimular a síntese proteica, reduzir marcadores de degradação muscular e exercer efeito anti-inflamatório por meio da diminuição da secreção de TNF-α (Cal et al., 2020). Além disso, estudos sugerem que esses peptídeos apresentam resistência à digestão gastrointestinal, capacidade de atravessar membranas intestinais e boa estabilidade plasmática, características que poderiam favorecer sua chegada ao tecido muscular. Em roedores, observou-se ainda ativação da via mTOR e atenuação da atrofia muscular em modelo experimental de desuso, levantando a hipótese de que este suplemento possa atuar como uma alternativa vegetal com propriedades anabólicas e anticatabólicas (Corrochano et al., 2021).


O que os estudos nos dizem até o momento..

O principal ensaio clínico (duplo-cego) publicado até o momento (Weijzen et al., 2023) avaliou 30 adultos jovens submetidos a 7 dias de imobilização unilateral e 14 dias de recuperação, suplementados com NPN_1 ou proteína do leite (controle isonitrogenado).

  • Intervenção: 10 g de NPN_1, duas vezes ao dia (após o café da manhã e antes de dormir), totalizando 20 g/dia de suplemento (~12 g/dia de proteína). O grupo controle recebeu a mesma dose de concentrado de proteína do leite (MPC, 10 g duas vezes ao dia).
  • Achados principais: a imobilização resultou em perda significativa de massa e força muscular em ambos os grupos. Durante a recuperação, a suplementação com NPN_1 aumentou as taxas de síntese proteica em comparação ao controle. Entretanto, não houve diferenças entre os grupos no tamanho do músculo, força e recuperação de massa muscular (DXA, dados não publicados)

Esses achados corroboram estudos prévios com proteína da fava (Robert Davies et al., 2022), que não evidenciaram melhora da síntese miofibrilar em repouso ou no pós-exercício.

Apesar do aumento da síntese proteica, a ausência de impacto sobre massa muscular e desempenho funcional limita a relevância prática do suplemento. Cabe notar que são poucos os estudos existentes sobre essa temática (quase inexistentes!) e ainda possuem curto tempo de intervenção, amostras pequenas e restritas a jovens saudáveis, sem avaliação em condições catabólicas (como idosos, sarcopenia, caquexia).

Sendo assim, algumas conclusões podem ser extraídas:


Até o momento, as evidências não sustentam o uso de PeptiStrong™ como recurso ergogênico ou clínico. A suplementação parece modular a síntese proteica, mas sem tradução em desfechos funcionais. Novos ensaios clínicos, de maior duração e em populações específicas, são necessários antes de qualquer recomendação.

Do ponto de vista prático, a pergunta permanece: vale a pena investir nesse suplemento? Se considerarmos o custo elevado e o ainda limitado suporte científico, a resposta mais prudente é não, pelo menos não ainda. A ciência caminha com cautela, e promessas iniciais muitas vezes não se traduzem em benefícios clínicos reais. Assim, até que haja evidências sólidas e replicáveis, recursos financeiros e esforços podem ser mais bem aplicados em estratégias nutricionais já comprovadas, como o uso de proteínas de alta qualidade associadas ao treinamento de resistência.


Referências

Corrochano AR, Cal R, Kennedy K, Wall A, Murphy N, Trajkovic S, et al. Characterising the efficacy and bioavailability of bioactive peptides identified for attenuating muscle atrophy within a Vicia faba-derived functional ingredient. Curr Res Food Sci. 2021;4:224–32.

Cal R, Davis H, Kerr A, Wall A, Molloy B, Chauhan S, et al. Preclinical evaluation of a food-derived functional ingredient to address skeletal muscle atrophy. Nutrients. 2020;12(8):2274.

Davies RW, Kozior M, Lynch AE, Bass JJ, Atherton PJ, Smith K, Jakeman PM. The effect of fava bean (Vicia faba L.) protein ingestion on myofibrillar protein synthesis at rest and after resistance exercise in healthy, young men and women: A randomised control trial. Nutrients. 2022;14(18):3688. doi: 10.3390/nu14183688. PMID: 36145064; PMCID: PMC9502734.

Weijzen MEG, Holwerda AM, Jetten GHJ, Houben LHP, Kerr A, Davis H, Keogh B, Khaldi N, Verdijk LB, van Loon LJC. Vicia faba peptide network supplementation does not differ from milk protein in modulating changes in muscle size during short-term immobilization and subsequent remobilization, but increases muscle protein synthesis rates during remobilization in healthy young men. J Nutr. 2023;153(6):1718–29. doi: 10.1016/j.tjnut.2023.01.014. PMID: 37277162.

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